Vou embora. Mas não pergunte de onde nem pra onde. A resposta está onde a palavra se esconde.
Não lamento. Mas não quero "por quê?" nem "por quem?". Minha sombra me segue e se expande. Caminho ao sol, que me cega e não se põe.
À noite, deito e é dia. O sol mostrando o oeste, que é o meu norte. O vento, cruzando meu centro, me acaricia. O chão cortando meus pés, doces cortes. A noite vem forte E é dia.
Si pudiera una sonrisa alterar las mareas de la noche; si pudiera una sonrisa alejar las sombras sin dar coces.
Nos reiríamos hasta el amanecer en la larga noche de carcajadas, atados a las locuras más sobrias y a los espasmos más endiablados
Y ningún demonio de las lágrimas a más de un metro se aproximaría, muerto de miedo de contaminarse con nuestra viral y repentina alegría.
Libres estaríamos y volaríamos hacia una plaza cerca del mar, donde el infinito sonido de las aguas se confundiría, deliciosamente, con nuestras carcajadas.
A minha língua me trái, muitas vezes. Em outra língua, a minha língua me trái, mais ainda. Até quando eu escrevo, meu dedo é língua, e me trái. Quando eu penso, minhas sinapses são línguas qua-se-se-to-can-do. Minhas sinapses me traem. Bilhões. O tato, o gosto, os sons, as cores: línguas.
Aí eu me pego olhando e olhando de novo; tocando e tocando de novo; pensando e pensando de novo; gritando e gritando mais alto. Que é pra ter certeza.
Mas a gente vai se tocando. Antes de olhar de novo, eu grito. Antes de gritar de novo, eu penso. Antes de pensar de novo, eu ouço. Antes de ouvir de novo, eu olho.
"Quando olhamos para o alto, de cima de alguma montanha, ou debaixo do cobertor quente, sempre olhamos para dentro para o fundo da nossa mente. Não adianta fugir, nem mentir, que não há caminhos a seguir que não seja por nossas lembranças nossos medos, nossos lambanças. No meio do que não esquecemos, sempre há vozes e risos e abraços daqueles que nunca se esquecem, daqueles que sempre nos aquecem, mesmo quando não há um porquê. E no final do caminho, quando o nada for mais tudo do que sempre foi, estaremos abraçados, pulando, cantando alguma vitória ou rindo chorando sobre a derrota que nos fez mais próximos do que quando a vida era torta no caminho reto da cumplicidade. A nós, só nos resta a certeza e as lembranças futuras e passadas, daqueles que são irmãos, mesmo quando não se tem nada".
"No centro do Rio de Janeiro, bem ali no Largo da Carioca, uma arena improvisada é montada todos os domingos. As arquibancadas são feitas de caixotes de madeira e a arena em si é de terra batida com direito a uma variedade incrível de vermes e os mais diferentes formatos de cocô de cachorro.
Neste espaço, acontece o maior evento semanal da cidade, o "Olé Ninõ". Logo após os jogos de futebol do Maracanã, os cariocas, que vivem em tendas sobre as árvores e que ainda não chegaram à idade do ferro, lotam os espaços para assistir aquele incrível espetáculo dos trópicos.
Funciona assim: dez crianças entre 10 e 15 anos são empurradas a chicotadas para dentro da arena. Um homem armado e com três kilos de doce espera o ataque mortal da criançada. O objetivo é não se deixar tocar por elas. Para ajudar, o tal homem pode usar os pés para afastá-las com chutes e rasteiras, mas em nenhuma hipótese pode usar as mãos, como no futebol e no futevolei.
O baile deve durar cinco minutos contados pelo relógio histórico da praça. Terminado este tempo, o cabra deve matar as crianças, mas só pode usar uma bala por cabeça, de preferência, é claro, na cabeça. Quando um tiro é o suficiente para a tarefa, o atirador ganha as orelhas e um dedo do pé do mortinho. Se conseguir matar todas as crianças usando uma bala para cada uma delas, ganha todas as orelhas, além das mãozinhas e ainda sai carregado nos braços do povo.
Quando acaba o show, os cariocas voltam às suas tendas para comer um papagaio ou uma capivara na lenha. Depois, dançam para afastar as chuvas de janeiro e vão direto para as esteiras ou folhas de bananeira, pois amanhã a galera tem que ir pra floresta caçar. "
Quando acabei de contar esta história, alguém disse: "Deve ser uma tradição oriunda das touradas" e perguntou: "O governo apóia esses eventos?" Deu vontade de chorar.
Todas aquelas misteriosas pernas cruzando por todo o universo inteiro, atraindo como um buraco negro aqueles que são fortes de coração.
Aqueles olhos acesos como faróis orientando os náufragos, os perdidos para um mundo de incontáveis sóis, onde só podem os fortes de coração.
Todo o amor incessante daquela noite, que derruba a terra e sustenta a lua, que se alimenta da ira mais primitiva, mais crua que só podem suportar os fortes de coração.
Morri na terceira longa cruzada entre o norte e a ira incontrolada pois ainda, por mais que queira não sou forte de coração.
A noite que cai às seis me preocupa tanto quanto a força centrípeta que me pôs no chão. Não seriam os dias, que não os santos, ainda tão santos quanto os outros então? Me toca varrer a calçada com os pés vazios de emoção, chutar o canto da rua com a ira inexplicada, pois assim são as iras, e jurar que tudo é conspiração. Fazer das tripas qualquer coisa que bate no peito, mostrar a cara pro que nunca houve e pregar que agora me sigam, pois eu sou o que veio pra dormir, comer, lavar a louça e, eventualmente, salvar o mundo. Tanto me vale o "por que sim?" quanto o "por que não?".
Abraçando o mundo com as pernas, usando as palmas das minhas contra-mãos, fazendo as contas pras compras de outubro de 2100, parei pra ouvir o tempo e deixei cair o plano no rio de março. Aí, é um abraço, perdôa a ironia.
Maria tinha um sonho comum - como qualquer um que sonha, como um sonho qualquer - e fez valer o novo ditado de "quem tem sonho, tem tudo", e foi com tudo. Maria, contudo, não foi com tanto que fosse o bastante e acabou voltando mais leve do que foi. Maria foi e voltou e trouxe uma flor no cabelo, que ganhou no pôquer, sem cartas marcadas. Usou de blêfe, de truque, de sangue frio, de óculos escuros, de uma coleção de sorrisos, de sorte - muita sorte. O beijo de Maria tinha outro tom e o sonho de Maria tinha outro peso. O peso das coisas certas, pensadas, testadas, perdidas e achadas, em outro lugar.
"It ain't no use to sit and wonder why, babe If you don't know by now"
I was walking down the streets, for which I have paid I was jumping on those trains, for which I have paid I was wasting fast my shoes, for which I have paid I've been living for so long in this place I made
I'll put down in words so you won't understand He's just a cold cold, cold cold hearted man