Há um ano não se escreve neste blog.
O que se lê desde então é o silêncio, o som da barba crescendo há um ano.
(In)felizmente, outros planos foram priorizados neste ano que passou.
Celebramos portanto, neste aniversário, tudo aquilo que não compartilhamos com nossos leitores imaginários.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Sonho 436
Quatro e quinze da manha. Consegui abrir a porta que há tanto tempo estava trancada. Giro a maçaneta e entro com cuidado. Dentro, a escuridão aos poucos dá lugar a uma luz fraca porém constante, que vem de lugar nenhum. O chão escorrega e está coberto de musgo e lixo. O cheiro se alterna entre o mais fino perfume de uma rosa e o fedor mais pútrido de um esgoto qualquer.
As paredes estão cobertas por gaiolas. amontoadas desde o chão até o teto. A cada piscada de olho as jaulas de multiplicam. Há dezenas, centenas, milhares. Dentro de cada uma delas, um pedaço da memória está aprisionado. E memorias dentro de gaiolas se comportam como galinhas. Galinhas nervosas, se debatendo, com ruídos de cacarejos e do bater desesperado de asas atrofiadas.
O cheiro é muito forte, e mesmo quando é bom me faz marear. As narinas confusas levam confusão ao resto do corpo. As pernas bambeiam, a cabeça lateja e o suor começa a escorrer como água. No meio de tudo isso, algo me diz que tenho pouco tempo. Um tic-tac ressoa em algum lugar. Tenho que correr, mas não sei para que. Fecho os olhos.
Por detrás das minhas pálpebras, vejo um homem de cartola - que não sou eu - entrando na sala. Ele derruba todas as gaiolas e liberta as galinhas/memórias. Com a algazarra, as penas flutuam e fazem coçar, os cheiros se multiplicam, o suor forma uma poça aos meus pés. O homem sai da sala e tranca a porta por fora. Não me movo.
De algum lugar, surge uma velha. Vestida de forma simples, ela, em desespero, tenta colocar as galinhas de volta nas jaulas. As aves se debatem, bicam, voam e caem. A velha se ajoelha e se esforça, mas é impossível. As lagrimas correm da face da mulher que com as mãos na cabeça sussurra palavras que me passam medo, muito medo. Ela levanta e com um pé de cabra destrói a fechadura da porta.
Abro os olhos. A velha não está mais na sala. Estou sozinho, e no chão, as memórias. Algumas estão mortas, outras estragadas ou esmagadas, e algumas, como antigas fitas VHS, começam a rebobinar, mas é um loop. Rebobinam infinitamente para momento nenhum. Olho para aquilo tudo e a angustia de quem não sabe o que fazer toma conta mim. Mais uma chance perdida. Fecho os olhos. Quatro e dezesseis da manhã.
As paredes estão cobertas por gaiolas. amontoadas desde o chão até o teto. A cada piscada de olho as jaulas de multiplicam. Há dezenas, centenas, milhares. Dentro de cada uma delas, um pedaço da memória está aprisionado. E memorias dentro de gaiolas se comportam como galinhas. Galinhas nervosas, se debatendo, com ruídos de cacarejos e do bater desesperado de asas atrofiadas.
O cheiro é muito forte, e mesmo quando é bom me faz marear. As narinas confusas levam confusão ao resto do corpo. As pernas bambeiam, a cabeça lateja e o suor começa a escorrer como água. No meio de tudo isso, algo me diz que tenho pouco tempo. Um tic-tac ressoa em algum lugar. Tenho que correr, mas não sei para que. Fecho os olhos.
Por detrás das minhas pálpebras, vejo um homem de cartola - que não sou eu - entrando na sala. Ele derruba todas as gaiolas e liberta as galinhas/memórias. Com a algazarra, as penas flutuam e fazem coçar, os cheiros se multiplicam, o suor forma uma poça aos meus pés. O homem sai da sala e tranca a porta por fora. Não me movo.
De algum lugar, surge uma velha. Vestida de forma simples, ela, em desespero, tenta colocar as galinhas de volta nas jaulas. As aves se debatem, bicam, voam e caem. A velha se ajoelha e se esforça, mas é impossível. As lagrimas correm da face da mulher que com as mãos na cabeça sussurra palavras que me passam medo, muito medo. Ela levanta e com um pé de cabra destrói a fechadura da porta.
Abro os olhos. A velha não está mais na sala. Estou sozinho, e no chão, as memórias. Algumas estão mortas, outras estragadas ou esmagadas, e algumas, como antigas fitas VHS, começam a rebobinar, mas é um loop. Rebobinam infinitamente para momento nenhum. Olho para aquilo tudo e a angustia de quem não sabe o que fazer toma conta mim. Mais uma chance perdida. Fecho os olhos. Quatro e dezesseis da manhã.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Carta de mim pra mim mesmo
Caro Luís,
Os horizontes novos estão atrás dos prédios e dos outdoors. Atrás da favela e do carro de som do candidato a vereador. Tem que correr, derrubar parede, pular de janela, tropeçar em cerca de arame farpado, levar beliscão, fazer careta, assobiar mozart, cortar cebola assobiando mozart, fazer gol de canela, me procurar na esquina, ir tomar banho, virar cambalhota, dia-sim-dia-não. E tem mais! Eles só se tornam novos depois que o cara chega e pisa e canta uma música de improviso. Até lá eles são mesmo é velhos. Quer dizer, em constante mudança. Quer dizer,... entendeu, né?
Mas aí, minha dúvida: e se, chegando, não for lá? Paciência. Tira foto, manda um postal, scrap no orkut, "aquele abraço na galera!", "pega aí meu email!", "vai me visitar quando?", "foi um grande prazer, mas meu horizonte é mais pra leste". Meus pés sujos são troféus e eu sei que meus netos vão gostar das histórias que eu tenho pra contar. Além do mais, se aprende melhor onde se está e isso é priceless.
Acho também outra coisa, se me permite. Acho também que tem hora que o tal horizonte, a vista que você sempre quis emoldurada pela sua janela, está logo atrás daquela colina. Aquela ali. Não, não! Aquela outra! Isso! Essa! E tá que o sujeito, que acabou de chegar, sai correndo pro outro lado! Sabe como é? Pois é. Então antes de sair correndo outra vez, vou dar uma volta na vizinhança. A gente acaba perdendo um tanto de paisagem nesse correr-sem-calma.
PARÁGRAFO ÚNICO:
Horizontes velhos: lavou, tá novo.
Essa é a minha opinião hoje. Amanhã é outra.
Aquele abraço direto do suvaco do Redentor ("Jack! I'm flying!" no cume do Corcovado).
Luís - Dando uma volta na vizinhança
Os horizontes novos estão atrás dos prédios e dos outdoors. Atrás da favela e do carro de som do candidato a vereador. Tem que correr, derrubar parede, pular de janela, tropeçar em cerca de arame farpado, levar beliscão, fazer careta, assobiar mozart, cortar cebola assobiando mozart, fazer gol de canela, me procurar na esquina, ir tomar banho, virar cambalhota, dia-sim-dia-não. E tem mais! Eles só se tornam novos depois que o cara chega e pisa e canta uma música de improviso. Até lá eles são mesmo é velhos. Quer dizer, em constante mudança. Quer dizer,... entendeu, né?
Mas aí, minha dúvida: e se, chegando, não for lá? Paciência. Tira foto, manda um postal, scrap no orkut, "aquele abraço na galera!", "pega aí meu email!", "vai me visitar quando?", "foi um grande prazer, mas meu horizonte é mais pra leste". Meus pés sujos são troféus e eu sei que meus netos vão gostar das histórias que eu tenho pra contar. Além do mais, se aprende melhor onde se está e isso é priceless.
Acho também outra coisa, se me permite. Acho também que tem hora que o tal horizonte, a vista que você sempre quis emoldurada pela sua janela, está logo atrás daquela colina. Aquela ali. Não, não! Aquela outra! Isso! Essa! E tá que o sujeito, que acabou de chegar, sai correndo pro outro lado! Sabe como é? Pois é. Então antes de sair correndo outra vez, vou dar uma volta na vizinhança. A gente acaba perdendo um tanto de paisagem nesse correr-sem-calma.
PARÁGRAFO ÚNICO:
Horizontes velhos: lavou, tá novo.
Essa é a minha opinião hoje. Amanhã é outra.
Aquele abraço direto do suvaco do Redentor ("Jack! I'm flying!" no cume do Corcovado).
Luís - Dando uma volta na vizinhança
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Rosa morena
Tao pequena e escondida,tao avessa ao sol e ao vento,
rodeada de humores frios,
saída sempre pelo avesso
Tao linda, perfeita e misteriosa,
tao igual e tao diferente,
rosa de suaves dentes
que mudam de cor
à inclinação do sol
Quando o grito se faz forte
e a chuva acomoda a terra,
ela se aperta mas deixa
que o mundo a conheça
A maré que leva a vida,
deixa na areia uma idéia,
o que se gera dentro dela,
perfeita rotação completa.
E para os não iniciados,
para os tristes do acaso,
fica a lenda da fonte mágica,
onde o prazer gera dor,
onde a dor gera a vida,
e onde a vida gera outra flor.
What?
Who am I?I can be anyone
Who am I?
A lyric singer
Who am I?
A lost poet
Who am I?
A life beginning
Who am I?
whatever you said
Who am I?
A stupid style
Who am I?
An unfair dream
Who am I?
a fool smile
Who am I?
a simple file
Who am I?
tons of coffee
Who am I?
pen without ink
Who am I?
virtual papers
Who am I?
always late
Who am I?
some coins
Who am I?
doesn't matter.
Who am I?
If I can be anyone, I am no one.
I am not.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Outra vez
Não sei o que dizer.Não diga.
Não sei o que fazer.
Não faça.
Não tenho o que pensar.
Não pense.
Não quero o que sentir.
Não quero.
Construção de Ecos
Vou rodarramos de rosa,
carros de roça
rugas de restos,
ranço das covas,
rímel de puta.
Vou restringir
o estrito atrito,
o tremelique estranho,
o truque tacanho,
o trampo perverso,
o trato do amor.
Vou chorar
cachos de chuvas,
fechos de luz,
em coxas insossas,
com manchas roxas,
lágrimas de chacal.
Vou falhar
na cama molhada,
na colheita das folhas,
na rolha de fundo,
na tertúlia do mundo,
na malha de judas.
Chifres de touro,
roupas de mouro,
tambores de couro,
anel de cristão.
À antiga espera
que a terra nos coma,
voltar a ser sombra
no fim da razão.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Nas costas da pálpebra
É só fechar os olhos,que eu tenho você,
ou estou em você,
no meio de lugar nenhum.
É só fechar os olhos,
que te vejo sorrir,
no meu ombro dormir,
sonho dentro do sonho.
É só fechar os olhos,
que te sinto suar,
que te escuto gritar,
num ritmo que não conheço.
É só fechar os olhos,
e o passado que não foi
vira presente imaginário
e futuro embaralhado.
Eu fecho os olhos e viajo,
viajo sem volta marcada
em loucuras endiabradas
de quem não sabe mais nada.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Pernas, pernas, pernas...
Que fixação por pernas,todas elas, as pernas delas
linhas curvas, linhas retas
formas raras, não tão certas
pernas roliças de dormir
pernas magras de suar
pernas curtas de apoiar
pernas longas de se enrolar
pernas hippies de pêlos pretos
pernas jovens de cores fortes
pernas executivas ou da estiva
pernas putas de toda a vida
Aquelas que andam duras de beleza
outras que rebolam com toda destreza
acompanhando a bunda dancarina
dentro do compasso da melodia mais fina.
Me ajoelho e peço pouca atenção
às pernas que passam ao largo
elas me ignoram e não me dão
mais que um joelho dobrado.
Essas pernas que não param,
que andam, correm, que estalam
Essas pernas que minhas não serão
que jogam minhas pernas no chão.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Eu minto sobre cigarros. Eu não fumo.
Te dei a mão com ironia, calcei a porta com o jornal de hoje e fomos longe. Um do outro. Me viu do outro lado da rua, me olhou através e disse o que pensava. E eu lendo os seus lábios e os seus olhos, esqueci de que lado vinha e voltei, como se fosse.Das coisas que eu uso eu minto.
E minto de tudo mais que sinto.
Dos caminhos: o mais longo, que é o único.
Dos sentidos: o de sempre, que é o claro.
Dos amigos: o tolo, que é o santo.
Dos amores: o falso, que é o eterno.
Das manias: você, que não tem jeito.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Qual?
O que sobra quandoo dedo falha, quando
o olho fecha, quando
se tropeça?
O que sobra onde
tudo morre, onde
o que há explode, onde
nem erva daninha?
O que sobra por que
não acorda, por que
não volta, por que
não há?
O que sobra como
lixo de rico, como
sol de estio, como
chuva rala?
O que sobra, no que
está verde, no que
não vem agora, no que
só se atrasa?
As perguntas
só causam
mais perguntas.
Melhor a ignorância
completa,
a cegueira discreta,
à saída.
sábado, 5 de abril de 2008
Mr. Presidente
Todo mundo defende muito,mas ninguém fala a frase:
"ele é um exemplo a seguir,
um poço de saber e equidade".
Mais da metade o adora,
mas dentro de casa, ninguém deseja
que um filho um dia seja
o que ele representa agora.
Ele caga em nossas cabeças
e tem gente que agradece o presente
ele remonta o passado, e neste caso
sempre seremos os otários mais recentes.
E ele ri dos que estudam,
e ele ri dos que trabalham.
e transforma em crime,
tudo o que poderia ser apenas acaso.
Dorian ideológico
Só querem o conflito;vivem de gerar emoções.
Se quisessem soluções,
parariam com a gritaria.
Mas se parassem de gritar
se perderiam sem objetivos,
sem emprego ficariam,
morreriam sós em pó de mica.
Sem o quadro dos gritos,
todos se desintegrariam
mortos, areia tornariam-se
nada mais que pólem de outros gritos
Mas nunca acontecerá,
o pólem maldito é poderoso
está em todo o mundo,
e grita mesmo que esteja morto.
domingo, 30 de março de 2008
No meio
Vou embora.Mas não pergunte de onde nem pra onde.
A resposta está onde a palavra se esconde.
Não lamento.
Mas não quero "por quê?" nem "por quem?".
Minha sombra me segue e se expande.
Caminho ao sol, que me cega e não se põe.
À noite, deito e é dia.
O sol mostrando o oeste, que é o meu norte.
O vento, cruzando meu centro, me acaricia.
O chão cortando meus pés, doces cortes.
A noite vem forte
E é dia.
sábado, 29 de março de 2008
Sonrisas en Castellano
Si pudiera una sonrisaalterar las mareas de la noche;
si pudiera una sonrisa
alejar las sombras sin dar coces.
Nos reiríamos hasta el amanecer
en la larga noche de carcajadas,
atados a las locuras más sobrias
y a los espasmos más endiablados
Y ningún demonio de las lágrimas
a más de un metro se aproximaría,
muerto de miedo de contaminarse
con nuestra viral y repentina alegría.
Libres estaríamos y volaríamos
hacia una plaza cerca del mar,
donde el infinito sonido de las aguas
se confundiría, deliciosamente,
con nuestras carcajadas.
Eu, traidor de mim
A minha língua me trái, muitas vezes.Em outra língua, a minha língua me trái, mais ainda.
Até quando eu escrevo, meu dedo é língua, e me trái.
Quando eu penso, minhas sinapses são línguas qua-se-se-to-can-do.
Minhas sinapses me traem. Bilhões.
O tato, o gosto, os sons, as cores: línguas.
Aí eu me pego olhando e olhando de novo;
tocando e tocando de novo;
pensando e pensando de novo;
gritando e gritando mais alto.
Que é pra ter certeza.
Mas a gente vai se tocando.
Antes de olhar de novo, eu grito.
Antes de gritar de novo, eu penso.
Antes de pensar de novo, eu ouço.
Antes de ouvir de novo, eu olho.
terça-feira, 25 de março de 2008
Pro LG!
"Quando olhamos para o alto,de cima de alguma montanha,
ou debaixo do cobertor quente,
sempre olhamos para dentro
para o fundo da nossa mente.
Não adianta fugir, nem mentir,
que não há caminhos a seguir
que não seja por nossas lembranças
nossos medos, nossos lambanças.
No meio do que não esquecemos,
sempre há vozes e risos e abraços
daqueles que nunca se esquecem,
daqueles que sempre nos aquecem,
mesmo quando não há um porquê.
E no final do caminho, quando o nada
for mais tudo do que sempre foi,
estaremos abraçados, pulando,
cantando alguma vitória ou
rindo chorando sobre a derrota
que nos fez mais próximos
do que quando a vida era torta
no caminho reto da cumplicidade.
A nós, só nos resta a certeza
e as lembranças futuras e passadas,
daqueles que são irmãos,
mesmo quando não se tem nada".
quarta-feira, 19 de março de 2008
Conto para gringos
"No centro do Rio de Janeiro, bem ali no Largo da Carioca, uma arena improvisada é montada todos os domingos. As arquibancadas são feitas de caixotes de madeira e a arena em si é de terra batida com direito a uma variedade incrível de vermes e os mais diferentes formatos de cocô de cachorro. Neste espaço, acontece o maior evento semanal da cidade, o "Olé Ninõ". Logo após os jogos de futebol do Maracanã, os cariocas, que vivem em tendas sobre as árvores e que ainda não chegaram à idade do ferro, lotam os espaços para assistir aquele incrível espetáculo dos trópicos.
Funciona assim: dez crianças entre 10 e 15 anos são empurradas a chicotadas para dentro da arena. Um homem armado e com três kilos de doce espera o ataque mortal da criançada. O objetivo é não se deixar tocar por elas. Para ajudar, o tal homem pode usar os pés para afastá-las com chutes e rasteiras, mas em nenhuma hipótese pode usar as mãos, como no futebol e no futevolei.
O baile deve durar cinco minutos contados pelo relógio histórico da praça. Terminado este tempo, o cabra deve matar as crianças, mas só pode usar uma bala por cabeça, de preferência, é claro, na cabeça. Quando um tiro é o suficiente para a tarefa, o atirador ganha as orelhas e um dedo do pé do mortinho. Se conseguir matar todas as crianças usando uma bala para cada uma delas, ganha todas as orelhas, além das mãozinhas e ainda sai carregado nos braços do povo.
Quando acaba o show, os cariocas voltam às suas tendas para comer um papagaio ou uma capivara na lenha. Depois, dançam para afastar as chuvas de janeiro e vão direto para as esteiras ou folhas de bananeira, pois amanhã a galera tem que ir pra floresta caçar. "
Quando acabei de contar esta história, alguém disse: "Deve ser uma tradição oriunda das touradas" e perguntou: "O governo apóia esses eventos?" Deu vontade de chorar.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Mundo Imbecil (Parte 57)
Depois falam dos portugueses....
(aviso que está em todos os trens de Barcelona)
quinta-feira, 13 de março de 2008
Corações primitivos
Todas aquelas misteriosas pernascruzando por todo o universo inteiro,
atraindo como um buraco negro
aqueles que são fortes de coração.
Aqueles olhos acesos como faróis
orientando os náufragos, os perdidos
para um mundo de incontáveis sóis,
onde só podem os fortes de coração.
Todo o amor incessante daquela noite,
que derruba a terra e sustenta a lua,
que se alimenta da ira mais primitiva, mais crua
que só podem suportar os fortes de coração.
Morri na terceira longa cruzada
entre o norte e a ira incontrolada
pois ainda, por mais que queira
não sou forte de coração.
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