É só fechar os olhos, que eu tenho você, ou estou em você, no meio de lugar nenhum. É só fechar os olhos, que te vejo sorrir, no meu ombro dormir, sonho dentro do sonho. É só fechar os olhos, que te sinto suar, que te escuto gritar, num ritmo que não conheço. É só fechar os olhos, e o passado que não foi vira presente imaginário e futuro embaralhado. Eu fecho os olhos e viajo, viajo sem volta marcada em loucuras endiabradas de quem não sabe mais nada.
Que fixação por pernas, todas elas, as pernas delas linhas curvas, linhas retasformas raras, não tão certas pernas roliças de dormir pernas magras de suar pernas curtas de apoiar pernas longas de se enrolar pernas hippies de pêlos pretos pernas jovens de cores fortes pernas executivas ou da estiva pernas putas de toda a vida Aquelas que andam duras de beleza outras que rebolam com toda destreza acompanhando a bunda dancarina dentro do compasso da melodia mais fina. Me ajoelho e peço pouca atenção às pernas que passam ao largoelas me ignoram e não me dão mais que um joelho dobrado .Essas pernas que não param, que andam, correm, que estalam Essas pernas que minhas não serão que jogam minhas pernas no chão.
Te dei a mão com ironia, calcei a porta com o jornal de hoje e fomos longe. Um do outro. Me viu do outro lado da rua, me olhou através e disse o que pensava. E eu lendo os seus lábios e os seus olhos, esqueci de que lado vinha e voltei, como se fosse. Das coisas que eu uso eu minto. E minto de tudo mais que sinto. Dos caminhos: o mais longo, que é o único. Dos sentidos: o de sempre, que é o claro. Dos amigos: o tolo, que é o santo. Dos amores: o falso, que é o eterno. Das manias: você, que não tem jeito.
O que sobra quando o dedo falha, quando o olho fecha, quando se tropeça? O que sobra onde tudo morre, onde o que há explode, onde nem erva daninha? O que sobra por que não acorda, por que não volta, por que não há? O que sobra como lixo de rico, como sol de estio, como chuva rala? O que sobra, no que está verde, no que não vem agora, no que só se atrasa? As perguntas só causam mais perguntas. Melhor a ignorância completa, a cegueira discreta, à saída.
Todo mundo defende muito, mas ninguém fala a frase: "ele é um exemplo a seguir, um poço de saber e equidade". Mais da metade o adora, mas dentro de casa, ninguém deseja que um filho um dia seja o que ele representa agora. Ele caga em nossas cabeças e tem gente que agradece o presente ele remonta o passado, e neste caso sempre seremos os otários mais recentes. E ele ri dos que estudam, e ele ri dos que trabalham. e transforma em crime, tudo o que poderia ser apenas acaso.
Só querem o conflito; vivem de gerar emoções. Se quisessem soluções, parariam com a gritaria. Mas se parassem de gritar se perderiam sem objetivos, sem emprego ficariam, morreriam sós em pó de mica. Sem o quadro dos gritos, todos se desintegrariam mortos, areia tornariam-se nada mais que pólem de outros gritos Mas nunca acontecerá, o pólem maldito é poderoso está em todo o mundo, e grita mesmo que esteja morto.