O cara esboçou umas palavras meio sem graça e foi-se embora pra qualquer lugar bem longe dentro de si. O cara não sou eu, mas já foi, ela sabia. Ela não é voce, mas vai ser. E se ninguém sabe do que a gente fala eu acho é pouco. De um tanto, um punhado de qualquer coisa que ninguém nem tenta descrever. O povo só sabe que tem alguma coisa estranha. A história começa onde termina o fato e, meu amigo, o fato não traz a história assim no ato. Tem que deixar o barco correr e a idéia navegar e, na verdade, na vida não vamos nunca valer os favos. Que valor afinal teve os vinte e cinco anos? Vai saber, bróder.Tem tanta história pra inventar por estas bandas de cá que dá até medo. Tem tanta novidade nos canais de TV a cabo. Sempre. Mesmo na reprise. Só sabe quem pode pagar pra ver e eu não estou pagando pra ver. Eu quero aprender de graça. Quem não quer? Quem?!
Tem gente querendo saber como é que acaba, mas a maioria nem sabe direito se já começou, a verdade é essa. Quem sou eu pra saber da verdade? Eu sou qualquer um com alma e tudo, com algum estudo, com altos sonhos e alegria dosada nos intervalos da novela das oito, que me bota triste como o quê. É tanto amor morrendo sem motivo no horário nobre. É tanto pobre e rico subindo pelas paredes do barraco. Tanto caco de vidro que duvido de nêgo andar por aí de pé descalço e achar bonito.
Peguei o trem errado duas vezes num fim de semana. Cheguei e voltei. Não perdi um só vôo. Mas deu tempo de pensar em tanta coisa que quase valeu a pena.


















