terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

...

- Pai, por que você tá chorando?
- Por nada, filho.
- Você sempre chora quando tem festa no colégio...
- Eu sempre choro quando te vejo nas festas...
- E tem motivo?
- Olhar é guardar coisas que um dia você só vai poder lembrar.
- Não entendi...
- Um dia, você vai...

Ética

O professor entregava as notas do trabalho de ética. A turma ansiosa fazia um barulho constante, uma névoa de sons vários que flutuava exatamente na altura dos ouvidos. Tortura. De repente, o silêncio.

O professor perguntava em catalão quem era o Silva. O rapaz levantou o braço e se identificou. E se fez o silêncio absoluto, por milésimos de segundo, o mesmo silêncio que ocupa o tempo entre o gol e a vibração da torcida.

Segundo o mestre, aquele era o pior trabalho que já havia lido. O silêncio se refez e a turma vestida com uma compaixão teatral quedou-se em miradas tímidas e cabeças baixas. Silva manteve a cabeça erguida e os olhos calmos, fixos no reflexo dos óculos do professor.

Com um castelhano que vinha do fígado pediu a palavra para se defender. Com palavras rasgadas de raiva e vergonha, Silva foi à frente da turma e perguntou o que era ética. Ninguém respondeu e a pergunta foi lançada novamente, educadamente, como uma flecha sem ponta.

O garoto da esquerda deu a definição de Aristóteles; a menina da direita citou o código de ética dos jornalistas; o mais velho falou de meio ambiente e, no final, a pergunta continuava sem reposta definida.

Silva então olhou pro professor e perguntou o que era ética. O velho catalão disse que as respostas dos alunos respondiam a pergunta com louvor. Silva sorriu e disse que todas aquelas éticas eram teoria e não tinha nada de práticas. Com todas aquelas frases bonitas, com todas as zeugmas, as metáforas, os livros, não havia como saber o que fazer e o que esquecer.

E que, além do mais, mesmo falando só de teorias, elas não serviam para todas as culturas, para todas as responsabilidades, para todos os interesses e, portanto, não podiam servir como uma definição de ética universal. E perguntou, de novo, o que era ética.

No silêncio da tensão, onde unhas sendo ruídas pareciam motores de avião, Silva foi ao quadro e escreveu "não faça com os outros o que não gostaria que fizessem contigo". O professor riu com lábios de ironia e abriu a boca para falar, mas foi impedido pela mão espalmada no ar do garoto que pedia mais um instante.

Silva disse que aquela frase era quase perfeita, mas que existiam homens que gostavam de ver suas mulheres com outros, que existiam mercadores que se deixavam roubar para que pudessem ganhar alguma vantagem, que existiam aqueles que se enganavam pela mais pura comodidade.

E disse que faltava pouco e que a próxima frase era o mais perto e definitivo do que alguém já chegou a pensar sobre a prática da ética. Com a mão esquerda agarrou o apagador e fez com que a palavra contigo deixasse de existir. Com a direita escreveu "com seu filho".

Largou tudo. Deu um sorriso, não de vitória, mas de respeito ao professor. Pegou a mochila e foi-se embora. Às suas costas, Silva ouviu os aplausos. E no dia seguinte, na tabela de notas, o pior trabalho de ética da história continuava marcado com o único zero que alguém recebeu naquela faculdade. O óbvio não tem bibliografia.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Aritmética

A você, devoção,
a mim, não.
A você, razão,
a mim, não.
A você, paixão,
a mim, não.
A você mundo,
a mim, não.

Na esperança fraca, porém invencível, fica:
não = sim
4não = 2 sim
2 não = sim
não = sim|2
não = talvez

Mensagem

Oi...
bjs..
br...

Quanto menos letras, mais pensamentos.
Quanto menos toques, mais imaginação.
Quanto menos verdades, mais fantasia.
E, no final, o que não foi vira passado,
concreto, forte, suado, inesquecível.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Mais um dia...

Seis da manhã, avental vestido,
cigarro tragado, café bebido.

Caixas de comida, gritos perdidos.

Vai ser daqueles dias, todo listo.


Pra começar, pega a caixa de batatas,

a de cebolas, os alhos e o creme de leite.

Descasca tudo e não esquece o chapéu.
Amola a faca, traz o lixo e a tábua verde.


Batatas-doce e da terra lavadas.

Fatia elas bem fininho com o fio da faca.

Mais fino, porra! Que chefe é esse?
Uma hora passou e o calor cresce.

Pega as cebolas já descascadas,
corta em quadrados pequenos.
Ele tá chorando, prenda rendada,
É menor que isso, como as que tenho.

Traz o alho, corta e amassa,
mistura o sal e experimenta.
Se arder a língua, está bom
Se não, olha o relógio e refaça.


Bote a panela no fogo.

Não nesse que é meu,

nem naquele que é dele.

Ache seu fogo e faça o seu!


Óleo quente, alho e cebola nele.

Refoga tudo sem queimar.

Olha o tempo, temos que servir

ou vamos ouvir gente gritar.


Desliga o fogo, joga o creme de leite,

mexe tudo bem mexido e pede

uns quatro tabuleiros pra terminar.

Porra, manda esse cara parar de gritar.


Batata doce cobrindo o fundo,

Batata da terra sobre elas,

depois o molho do creme cobrindo tudo

Repete até encher, seu burro.


Forno preparado, pano arrumado,

tabuleiros cheios e encaixados

Hora do cigarro, não!

Hora de cortar o pão...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Quatro tardes

Tenho tudo verde,
o chão que antes
me mantinha agora
se equilibra sob mim.
Os olhos não fecham,
mas eu não vou gritar.

Tenho idéias pulsando
no corpo mole, mundano,
que se joga no sofá.
Quero paz às minhas pernas;
não vou me levantar.

Tenho música no coração
e o suor escorre como água.
Sou eu uma massa de pele que
morde e engole as mãos,
que tremem sem parar de dançar.

Tenho dores por todo
o corpo que insiste em
desequilibrar, no meio
do salão. Corro, derrubo,
trombo, só quero vomitar.

Seis cidades

Tenho neblina nos olhos,
os tijolos sempre se repetem
ao infinito e o tiro de bala
barata resvala e estoura
dentro de uma cabine vermelha.

Tenho vapor nas narinas,
a areia gruda nos pés
queimados de reflexos
brancos de um sol que
só gosta de cozinhar

Tenho suor na camisa,
as ruas infinitas sempre
levam a torre e o museu
é maior do que posso
suportar sem me matar.

Tenho o estômago cheio,
engolido pela vontade
de comer e arrotar,
nem o grito da morte,
me fez a comida recusar.

Tenho os ouvidos surdos,
e o que se fala não é
para mim o que se escuta
é consequência real
imediata do que não entendo.

Tenho fumaça na cabeça,
os rios correm para todos
os lados e para lugar
nenhum bar me diz não
e eu só quero enrolar.

Tenho água na garganta,
que desce e evapora
antes de eu repirar.
O fundo é vazio, morto
não há nada para mostrar.

Língua dura

Aqui se fala castelhano,
mas alguns defendem o catalão.
As massas comem em italiano,
e os filosofos choram em alemão.

As bombas explodem em inglês,
as estátuas olham em mandarim,
as bolas quicam em português,
enquanto o dutch corre do sim.

A honra se mantém em japonês,
e a depressão sorri em russo.
Os pães crescem em francês,
e o estopim é sempre em galês.

No meio de tantos sons,
tantas línguas, tantos tons,
o tempo ignora nossa vontade
e só ficam as estátuas de mármore
surdos e mudos estandartes.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A filosofia das batatas

"...Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir a outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos.

Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas" (Machado de Assis em Quincas Borbas)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Balas

Hoje na praia vi um cara armado
Apontando sua arma para as costas
Do cara que desarmado olhava assustado
Para as pessoas paradas na praia.

Parei curioso, não aterrado, e esperei
Esperei o baque final, fatal não frontal
Daquela bala que poderia ser de festim
Que talvez marcasse a deixa
para o diretor
Gritar de sua cadeira: corta!
Esperei o diretor e o tiro numa calma,

num silêncio angustiante que vinha do meu ouvido

e se transformava em um zumbido
que
se confundia com o barulho das ondas
que no mar
já sabiam
que eu ia andar de novo sem ouvir o tiro

E voltei a andar até o coqueiro, ponto novo para mim

Que tinha dado um tempo desta praia.

Numa paz estranha, já que meus olhos imaginavam

Em cenas sem diretor a vida daquele cara que poderia

Morrer hoje não por derrame ou ataque cardíaco

Mas por uma bala imbecil e fria e pelo ódio incondicional
E naquele calma andei sem olhar para trás

Observando aqueles que virados para minhas costas

Enrugavam seus rostos em desaprovação

Não sei se a mim ou ao cara armado que levava o outro.

E na minha paz divina me locupletei com todas as situações

Que poderiam ser geradas daquele momento:

Eu tomando uma bala

A velha do meu lado tomando a bala

O cara tomando uma bala

O armado ser policial
O armado ser bandido

Eu ser um policial e pegar a arma do bandido

Bala pra todo mundo
E fui naquele marasmo, sem balas nem estampidos

Continuar minha caminhada na direção do coqueiro

E pensava: porque tanto ódio, podíamos conversar

Podíamos sentar e trocar experiências
Mas de súbito me vi impossível, numa mesa de pernas tortas

Com as mão atadas sobre uma arma que soltava balas de feijão

E o homens, burros que só eles, rindo da minha condição de lacaio
De uma idéia fanfarrona de algum brincalhão.

Levantei no meu sonho e disse com voz grossa: eles não sabem,

E no próximo ponto da vida real, desci na areia, no coqueiro menor

Errei o coqueiro e a onda que quebrava me lembrou da bala que alguém tomou.

Eterna busca

E se tudo o que buscas está dentro de você,
seu deus, seu amor, seu mar, sua cor, sua solução
Nada há fora, só sombras como já dizia platão.
Ele só esqueceu de dizer que lá fora
está dentro de você


Outro dia li a bíblia e qual foi minha surpresa

Quando me deparei com a minha própria história,

Meu paraíso uterino é o jardim do éden divino

Onde nada preciso fazer, trabalhar ou comer

Onde há frutas ao meu dispor, onde só há amor


Depois, lançado no mundo, em meio a sangue e dor

Perdi, com o choro, minha felicidade incondicional

E ouvindo atento aos ruídos do mundo exterior

Criei meu próprio conceito de realidade universal


Com os olhos abertos, dei forma ao que via

Com a língua enrolada, dei nome ao que me existia

Com as mãos pequeninas, toquei minha verdade

Com as lágrimas, representei minhas vontades

(Estava criado meu mundo, em essência)


Depois da primeira fase, só precisava obedecer

Meus pais me diziam, preocupados, o que fazer

Este foi meu velho testamente, não havia opção

Era esperar o tempo passar e trabalhar meu coração

Quando menos esperava, vivi os novos livros
Foi me dado o tão esperado livre-arbítrio
Na adolescência, em meio a crises e revoluções,
rompi com meus deuses e desconstrui minhas ilusões

Já adulto, sofri o eterno dilema humano
Defender meus ideiais a qualquer custo
ou me entregar de pronto à um mundo insano,
sedento em me devorar

Crucificado ou não, ainda não cheguei ao meu final,
no momento em que meus anjos e demônios tomarão meu coração
para apresentar a conta crucial,
onde estará detalhado tudo o que fiz,
todo meu bem e todo meu mal

No segundo anterior ao cessar da minha respiração
assistirei impassível, passar toda a minha vida em essência
numa guerra interior inclemente de sangue, suor e paixão
para, finalmente, fechar os olhos para o único caminho possível
o fim definitivo da minha existência

Viagens de fim de tarde

De todas as coisas que mais amo,
poucas se movem ou tem forma.

Daquelas que correm e gargalham,

Dois terços ou mais são mulheres,

Metade do que sobra, animais,

A outra, amigos perdidos


Amar é fechar os olhos e dar de cara,

Amar é dormir sem pensar em nada,
Amar é mergulhar e ficar de ponta a cabeça,

Amar é sofrer por nada e sorrir por sofrer

Amar é detalhes não ver


E mesmo nas inversões mais feias,

Amar é achar a lógica linda e inalterável.


De todo o resto que não se move ou chora,

Amo sensações, das imensas às róseas.
Não tem explicação, nem pedra no rim que sirva

como ponto de comparação...


Amar o silêncio sob as águas,

Amar zumbido do quase dormir

Amar o banheiro vazio e o mictório urgente

Amar o última dose que vão te servir.
Amar um olhar, uma gozada, um sinal verde
Amar a Internet, água gelada, amar normalmente

É sem dúvida no meio das dúvidas
surge o verdadeiro amor
De dentro de um flor feia e enrugada,
o melhor beijo, a melhor trepada.
E o gostinho amargo fica pra sempre,
Como marca em um fantasma carente.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Ridículo

Todas as cartas de amor são
Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.


As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são
Ridículas.


Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.


A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Álvaro de Campos, 21-10-1935

Os sonhos de um...

Mefistófeles (Fausto, Goethe)

Falo verdade chã. Retro bazófias!
Cada homem (microcosmo de loucuras)
imagina-se um todo; e eu sou, confesso,
parte da parte que era tudo in ovo;
parte da treva, mãe da luz, sim dessa
vaidosa luz, que à sua mãe pleiteia
foros de universal; por mais que o tente
não lhos há-de usurpar; quem lhe deu posses
para mais que abraçar as superfícies?
penetra num só corpo? (e inumeráveis
são eles) só os tinge e aformosenta;
e o mais pequeno em seu correr a embarga.
Deixál-a; tenho fé que cedo acabe;
se perece a matéria, está perdida.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Aula 78

Sapatos pretos ou marrons. Nunca brancos. Sempre de uma cor só. Meias brancas, algumas vezes pretas ou marrons. Impossível outra variação. Calças jeans, algumas cargo sem ser jeans e uma idéia fixa em achar um jeans cargo. Camisas lisas, não chamativas, casacos sóbrios, quando possível, blazers. Óculos transparentes, relógio esporte, barba por fazer.

Intensa crise. Velho| Novo é a relação que está em cada escolha cotidiana. Velho querendo ser novo: o jeans cargo seria a união dos dois modelos. Ao mesmo tempo, uma timidez imensa. Sapatos, camisas e casacos que não chamem a atenção que antagonizam com o relógio esporte e com a certeza das palavras. Por fim, um cego que não queria usar óculos e um garoto que sempre quer ter 20 anos, com barba de 20 anos.


"A imortalidade está ligada à defesa de princípios, onde quer que isso leve"

sábado, 19 de janeiro de 2008

A lebre e a tartaruga

Quando mais primeira vez,
não tiver pressa de chegar,
chegar e nenhum lugar,
vendo o futuro, infinito, cativante,

comendo cada instante

do meu constante esperar.

Mas se espero é porque sei que não quero
ter pressa de para trás ficar.

Mais primeira vez,
espero e venero cada momento

que o mundo vem mostrar

o barulho do silêncio

o caminhar dos segundos
o ritual dos ventos
Tudo existe na condição de ensinar

E quem sentindo, sereno, porém atento aguardar
o momento mágico e preciso de levantar
e fazer valer
a cansada condição de esperar

E quando primeira vez,

não tiver pressa de chegar

verei que já terei chegado

em algum lugar

antes e mais aprumado

daquele que saiu antes, apressado
tentando me ganhar.

Coratando

Coração cansado
Coração solitário
Coração apaixonado
Coração anestesiado
Coração acostumado
Coração aflito
Coração enciumado
Coração entristecido
Coração pesado
Coração caído
Coração despedaçado
Coração
Cor ação
Coação
Cação
Caça

Tecnocabal

Zoom in, zoom out
um rato, uma cidade
Objetiva, grande angular
uma sombra, uma tarde

Uma foto, um vídeo
um momento, 30 minutos
Amador, profissional
pouca cor, dinheiro curto

Concreto, virtual
no bolso, pasta de tudo
blog, papel do jornal
futuro, ouvidos surdos

Enquanto o HD gira
vou ficando numa boa
eu sei, eu sei, eu sei

Concretando

Castelo de areia desaba na água
Castelo de areia desagua
Castelo de areia
Castelo de ar
Castelo d'ar
Castelo
Cast
Ca
C
A
I

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Aula de quarta-feira

A verdade, eu te digo
não passa de uma invenção
fraca, torta, um inimigo
de quem quer dominar a razão
E para que dominar a razão
se não para controlar a sociedade
e transformar a sabedoria
numa correria de vaidades
Então contemos mais mentiras
para proteger as verdades
retirantes das falsas gírias,
banhistas no sol da tarde.
Construiremos castelos de cartolina
bandeirantes de solos inférteis,
nulos, mortos, jazendo nas colinas.
Até que tudo caia, se distraia
e se despedace em cacos afiados
para recomeçar tudo de novo.
Com exploradores míopes e cansados
de pés cortados e corações atrofiados.

Neste ponto da história,
não há mais verdades, nem mentiras
há contos e lendas divertidas
sobre coisas que todos acham
mas que ninguém pode acreditar.

Até que alguém na curva do vento
começa a criar novas verdades
sobre uma base de mentiras
sem pressa, sem gritos, sem alarde,
cria-se um novo mundo novo
onde os banhistas continuam tomando o sol da tarde.